O perigo de querer trabalhar no que você gosta

“Tem algum perigo em querer trabalhar no que se gosta?” – É provável que você se tenha feito essa pergunta, e curiosamente, tenha vindo aqui descobrir que problema há nisso. Mas desde já, adiantamos a resposta: sim, há um perigo sério em querer trabalhar no que se gosta. Mas calma, você vai entender melhor ao longo desse texto.

Hoje em dia é muito comum ouvir em faculdades e palestras de empreendedorismo que devemos fazer e trabalhar com aquilo que gostamos. Esse tipo de pensamento foi uma quebra de paradigma diante da velha mentalidade de que devíamos trabalhar simplesmente para ganhar dinheiro. Mas a questão é: será que fazer o que se gosta é o suficiente pra ter sucesso e ser feliz no trabalho?

A resposta pode contrariar o pensamento vigente, mas a verdade é que não. Quando escolhemos uma carreira, escolhemos algo que vai tomar a maior parte do tempo das nossas vidas, e ninguém tem o mesmo sentimento sobre aquilo que faz o tempo inteiro. É impossível que você permaneça gostando do que faz em todo o tempo, em todos os dias, durante todos os meses do ano. Às vezes entramos em crise em nosso trabalho porque nos deparamos com a seguinte situação: “Eu trabalho com o que gosto e com o que sempre gostei a vida inteira, mas não me sinto feliz. Será que estou na profissão certa? o que eu fiz de errado?”. Diante disso, parece que a única solução plausível é chutar o balde, entregar os pontos e partir para uma nova profissão ou um novo negócio, mas será que isso resolve o problema?

É importante trabalhar com algo que gostamos, afinal de contas devemos ter prazer no nosso trabalho. Também é importante nos preocuparmos com de que forma o nosso trabalho será rentável, afinal, temos contas a pagar, mas o que muitos de nós ignoramose que é o mais importante de tudo – é que precisamos trabalhar por um propósito. Quando escolhemos uma profissão movidos por aquilo que gostamos, na verdade, estamos fazendo escolhas baseadas em sentimentos. Sentimento é algo que uma hora temos e outra hora se vai. Há dias que acordamos tristes e há dias que acordamos felizes, mas apenas sentimentos não mudam quem somos. Quando tomamos decisões movidas por nossos sentimentos, corremos o grave risco de nos precipitarmos e abrirmos mão de algo importante por causa de uma mera sensação passageira. Por outro lado, dar extremo valor ao dinheiro nos impede de valorizarmos aquilo que é realmente importante. Quando damos valor demais ao dinheiro, colocamos o foco da nossa empresa na solução dos nossos próprios problemas, e não no problema dos nossos clientes. Isso é egoísmo! Nenhum negócio autocentrado conseguirá se sustentar por muito tempo.

Quando tomamos decisões movidas por nossos sentimentos, corremos o grave risco de nos precipitarmos e abrirmos mão de algo importante por causa de uma mera sensação passageira. Por outro lado, dar extremo valor ao dinheiro nos impede de valorizarmos aquilo que é realmente importante.

Diante disso, no que afinal devemos basear nosso trabalho e vida profissional? Tenho descoberto a cada dia mais que essa resposta se resume em uma única palavra: propósito. Vou dar um exemplo: acho terrível acordar cedo, mas quando sou convidada a sair com meus amigos e preciso acordar às 5 horas da manhã, faço isso motivada. Isso não significa que eu vou acordar feliz ou bem disposta, mas que serei capaz de fazê-lo porque acredito que o esforço valerá a pena. Da mesma forma, enquanto não encontramos um motivo que nos faça acordar dispostos e trabalhar 8 horas por dia e ainda enfrentar trânsito e uma rotina estressante, estaremos fadados ao fracasso e sujeitos à dominação da tristeza e do desânimo.

Trabalhar por propósito não significa ter apenas dias fáceis e prazerosos, ou fazer apenas aquilo que gosta. Trabalhar por um propósito é ver um grande motivo por trás do que se faz, e por isso encontrar disposição para suportar dificuldades, tristezas, crises, momentos de falta de dinheiro e o que mais possa acontecer. Encontrar um propósito naquilo que fazemos é a única forma efetiva de vencermos as dificuldades que aparecem em nosso caminho.

Talvez hoje você se veja diante de uma crise, achando que escolheu a carreira errada. Não mude de carreira simplesmente porque você se sente assim. Antes procure olhar para o mais profundo de si mesmo e encontre o motivo pelo qual você decidiu começar. O problema não está muitas vezes na carreira que escolhemos, mas em qual tem sido a nossa motivação. Será que escolhemos com base no sentimento, na rentabilidade da carreira ou com base no que verdadeiramente acreditamos? Quero perguntar hoje a você não mais se você gosta do que faz, mas se você acredita no propósito daquilo que você faz. Quando a resposta for sim, permaneça no foco e o sucesso acontecerá no tempo certo.

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